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Ainda em mote de "Recomeços", à pouco tempo mudei de local de trabalho. Continuo a trabalhar na mesma instituição noutro edifício. A minha entidade empregadora tem 4 edifícios, por isso estas mudanças.

A ultima vez que me pediram para mudar foi há 2 anos atrás. Fui para um gabinete com melhores condições do que o anterior. Um edifício com 10 anos (muito mais novo), com mobília de escritório e climatização.Quase perfeito.

Havia um grande MAS: não tinha luz direta. Eu tinha uma janela mas não dava diretamente para o exterior. Necessariamente tinha que ter sempre as luzes acesas, luzes fortes e intensas que não prejudicavam a minha visão. No entanto, não era luz natural! Para mim, essa ausência era "tortura" para mim. Não conseguir ver e sentir os raios de sol ou a chuva e o vento fez com que eu, todos os dias, procurasse coragem, força e vontade para entrar naquele gabinete muito bonito.

Na reta final, em que se antevia a minha mudança, foi obviamente mais difícil.

Corajosamente (aparentemente) mantive-me firme até ao fim. Interiormente sentia-me chateada com Deus e com o mundo atribuindo as culpas a tudo e a todos.

Não foi nada bonito da minha parte! Sou humana, muito humana (muito pecadora e muito imperfeita). Quanto mais caminho (ou procuro caminhar) para DEUS mais sinto a minha pequenez, a minha mesquinhez, a minha miséria.

Na verdade, e na maior parte dos meus dias e exatamente por causa dos meus pensamentos, reações e ações, sinto que sou como Judas, o amigo discípulo que traiu Jesus.

 

Imaginem a minha alegria no dia em que mudei. Já tinha mandado as minhas coisas em caixotes nos dias anteriores, mas só numa sexta-feira é que definitivamente "tomei posse" do meu espaço. Para mim foi um dia especial! Mudei-me para um edifício antiquíssimo que ainda não foi requalificado, mas que tem uma maravilhosa sala (adaptada) com 4 janelas e uma portada! Apesar de antigo, sem climatização e com mobiliário adaptado eu estou muito mais feliz! Tenho tanta luz que chega a tirar o fôlego cada vez que entro na sala! Oiço os passarinhos, vejo árvores, sinto os raios de sol, observo a chuva, oiço o vento, aprecio as diversas mudanças climatéricas ao longo do dia...

Nesse dia, e nos dias seguintes, quantas vezes parei a olhar para a janela: a sentir e pensar em como sou afortunada! Apesar da minha miséria, Deus abençoou-me com esta oportunidade.

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Engraçado! Tenho reparado que nas livrarias há cada vez mais livros que falam do bem estar, das energias e coisas afins! Um que recentemente saio no mercado é "O livro do Hygge, o segredo dinamarquês para ser feliz!" de Meik Wiking. Os países nórdicos são mais espevitos, em muitas matérias (dizem os estudos), do que nós, fazendo muito melhor. Talvez a ausência e a necessidade faz com que procurem soluções e encontrem respostas. Assim, porque gosto de saber e aprender, estive a dar uma vista de olhos ao livro. Felizmente não me deu novidades e até, parece-me a mim, em alguns capítulos fica a desejar. No entanto achei interessante que fale tanto da luz e da necessidade dela! Porque têm tão poucas horas de luz, os dinamarqueses procuram compensar com imensas estratégias para se sentirem bem e felizes (muitas velas, mobiliário em madeira, lareira, livros, mantas e almofadas, vinho e chocolate, companhia e informalidade, chá e gratidão, atividades ao ar livre e harmonia,etc...).

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Estes são os segredos da felicidade que todos os católicos conhecem há mais de 2 mil séculos com a diferença que tudo isto só faz sentido se soubermos qual é a nossa essência, a nossa missão, o nosso sentido neste mundo: cumprir a vontade do nosso Pai.

Nesta missa deste domingo ouvi a seguinte mensagem de Jesus, Deus-filho: " Vós sois a luz do mundo; (...) acende uma lâmpada para a colocar (...) no candeeiro onde ela brilha para todos os que estão em casa. (...) Que a vossa luz brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que fazeis e louvem o vosso Pai que está nos céus" (Mateus 5, 14-16)

Imagino: será que há pessoas que sentem tanto a falta de luz (do amor, da compaixão, da misericórdia, da amizade, da companhia, da verdade) como eu senti falta da luz natural?! 

Na mesma missa também ouvi isto: "repartir o pão com quem passa fome, hospedar em casa os pobres sem abrigo, vestir aquele que se encontra nu, e não se fechar à sua gente (...) a tua luz brilhará como a aurora, as tuas feridas vão sarar rapidamente (...) a glória do Senhor acompanhar-te-á" (Isaías 58, 8)

Se eu parar de me centrar em mim, no meu umbigo, alimentando os meus ressentimentos, as minhas feridas poderão sarar e eu obterei graças junto de nosso Senhor.

 

Oiço muitas vezes isto: "como é que poderei ser católica(o) se vejo os católicos praticantes a serem mesquinhos, arrogantes, soberbos, ingratos, orgulhosos, antipáticos, tristes, melancólicos, depressivos...."

Acho que foi isto que Jesus nos quis prevenir e avisar. Como poderemos ser de Jesus, dizermo-nos seguidores dele quando não "brilhamos nas trevas"(...) não somos "piedade, compaixão e justiça" à sua semelhança (Salmo 112/111, 4)!

No meu caso particular só tenho que fazer o meu dever (tal como o pequeno passarinho que, independentemente da sua pequenez e imperfeição, continua a levar no seu biquinho gotas de água para o incêndio na floresta).

 

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Poderei eu ser uma pequena maravilha neste mundo,

um candeeiro que dá luz, calor, alegria e aconchego a uma pessoa? 

 

Poderás ser também tu uma pequena maravilha neste mundo,

um candeeiro que dá luz, calor, alegria e aconchego a uma outra pessoa?

 

 

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