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Gostaria de partilhar convosco uma coisa que me aconteceu no ano passado.

 

No mês de Agosto de 2016 tive a experiência de ficar "presa" num engarrafamento gigante na Auto-Estrada, por causa de incêndios. Contei o episódio AQUI.

É uma experiência que dificilmente esquecerei até ao resto dos meus dias.

Passamos diversas horas sob o calor, na autoestrada, encurralados; e quando finalmente começamos a andar, passamos ao lado do fogo pois ele andava à beira dos rails.

Revi aquela "cena" vezes sem conta na minha cabeça, lembrando-me destas palavras escritas: "Jacinta, compreendendo tudo isto muito bem, nunca mais deixou de pensar na desgraça irremediável das almas condenadas ao Inferno. Mais do que tudo, causava-lhe angústia a ideia de um castigo sem fim".

 

Umas semanas mais tarde fui confessar-me (em Fátima). 

Preparei a minha confissão como habitualmente (AQUI) e guardei para o fim umas perguntas. Faço sempre isto: aproveito o momento para tirar dúvidas. É um momento privilegiado que tenho com um presbítero e como tal tento tirar partido disso. Assim perguntei:

- Parece-lhe mal eu rezar um terço pelas almas perdidas no Inferno?

O sacerdote ficou sem reação.

 

Eu senti-me na obrigação de explicar. Contei-lhe do meu episódio na autoestrada e na visão do fogo. Também lhe disse que acreditava piamente na Misericórdia de Deus mas que também sabia que as almas que ião para o inferno seriam aquelas que em plena consciência renegariam Deus e à sua existência.

Percebo que a imagem do Inferno (com labaredas de fogo) poderá não ser exatamente assim. Mas para entendermos a sensação do que é estar no Inferno, foi-nos mostrado um cenário cujas almas sofrem de maneira parecida, ou seja, estar no meio de fogo sentindo uma dor constante, para toda a eternidade!

Assim, expliquei-lhe eu, não acredito que alguém que diz firmemente "Eu não quero nada com DEUS" o faça em consciência, pois se soubesse o que o espera para toda a eternidade (e isto é muito muito tempo) arrepender-se-ia no mesmo segundo. Nós humanos somos "matéria divina" com defeito. Pensamos que sabemos tudo mas na verdade estamos longe, muito longe de saber o quer que seja, especialmente sobre assuntos divinos. Por isso disse-lhe que queria rezar um terço para que Deus, na sua infinita misericórdia, tivesse pena daquelas almas "tontinhas" e que as relevasse. 

A dor que se sente (parece-me a mim pelo que li em diversos relatos e livros) é a dor da ausência de Deus. Nós sendo de essência divina somos atraídos pela fonte: Deus. Mas se essa fonte desaparece nós ficaremos eternamente presos a essa ausência, a essa falta. Digamos que será a dor da procura eterna da felicidade.

 

Eu acho que deve ter passado pela cabeça do Sr. Padre ideias como grupos e seitas satânicos quando lhe fiz a pergunta. Eu própria só vi a vi nesse prisma naquele momento. Fiquei muito atrapalhada e desfiz-me em explicações e mais explicações.

Enquanto isto o Sr. Padre recompôs-se e percebeu a minha dúvida (graças a Deus!)

Resposta dele:

- Quer saber de uma coisa? Para mim, eu acho que não está ninguém no inferno.

Foi a minha vez de ficar sem reação.

Deus é misericordioso e amoroso!

 

Ok.

Fiquei confusa e aliviada. E instantaneamente surgiram-me outras dúvidas, relacionadas com a "justiça divina". 

Mas o Sr. Padre nessa altura encerra a nossa conversa confessional. Apesar de jovem parecia-me repentinamente muito cansado. Acho que lhe devo ter pregado um grande susto. 

Já não confessou mais ninguém.

Eu não rezei, até à data de hoje, nenhum terço pelas almas do inferno.

 

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Estas recentes tragédias no nosso país relembraram-me este episódio. Poderemos ter mil e uma teorias relativo ao que irá acontecer depois da morte, mas uma coisa é certa: todos nós vamos lá chegar e vamos passar para o lado de lá, quer queiramos ou não.

Jesus, na sua passagem pela terra, falou muitas vezes sobre estas questões através de diversas parábolas. Se ele insistiu muito é porque é muito importante.

Recomendo a leitura deste texto da Teresa Power:  E se eu morrer esta noite? AQUI

Vale a pena pensar um pouco mais sobre isso e nos prepararmos porque, como dizia, a ETERNIDADE é muito muito tempo!

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4 comentários

De Teresa Power a 22.06.2017 às 13:19

Belo texto, como sempre, Lena!
Hoje, mesmo entre sacerdotes, existe a opinião - que é isso mesmo, uma opinião - de que o inferno estará vazio. Quando se trata de opiniões, as dos sacerdotes têm a mesma validade que a de qualquer um de nós: nem mais, nem menos. Embora os sacerdotes tenham maior responsabilidade ao emitir as suas opiniões, porque elas podem influenciar mais as pessoas do que, por exemplo, as minhas.
E no entanto, Nossa Senhora disse aos pastorinhos, em Fátima, que há muitas almas no inferno... E Jesus falou na Geena de forma muito severa e muito, muito clara. Estará Deus a brincar connosco, a assustar-nos como alguns pais fazem com os filhos ao falar no "bicho papão"? Se não existe inferno, a morte de Jesus na cruz foi uma perda de tempo! Sei que conheces bem o Catecismo, mas deixo aqui os números para os que não sabem onde ler o que a Igreja diz sobre isto - isso sim, não é uma "opinião", mas a Palavra de Deus, porque a Palavra de Deus também está contida no Catecismo: números 1033 a 1037.
Em Fátima, no último dia 13 de maio, o nosso Papa Francisco na homilia disse esta frase: "Teremos o Céu para ver Nossa Senhora - se, claro, formos para o Céu..." O Papa sabe que o Céu não é uma garantia, é um convite, um desafio, uma oportunidade...
Rezemos pelos pecadores, como pediu a Virgem em Fátima!

De Helena Le Blanc a 23.06.2017 às 14:02

Ola Teresa

Algo me disse que irias responder a este post. Obrigada pelas tuas palavras.
E Teresa, consideras-me demasiadamente em boa conta! Conheço o Catecismo sim mas (infelizmente) não todo. Vou lendo-o aos bocadinhos e à medida das circunstâncias. Acho que tenho realmente de pensar em ler de uma ponta à outra. Talvez nestas próximas férias. E nem me ocorreu consultá-lo à cerca do Inferno. No entanto senti que de facto alguma coisa estava errada quando o sacerdote me diz aquilo mas.... quem sou eu?! Acho que é este sentimento que temos quando ainda nos sentimos muito inseguros relativo ao conhecimento da nossa Fé. E têm esse sido o caminho e um dos propósitos deste blog: conhecer melhor a minha Fé.
Senti que algo estava errado, como dizia, mas também não fiquei muito preocupada, porque a realidade do Inferno continua a ser a mesma para mim: bem real e provável. Por isso também este episódio ter sido há um ano e eu nunca mais ter pensado muito nisso (ou já teria me lançado numa démarche relativo a este assunto).

Infelizmente tenho (e cada vez mais) que ter a iniciativa de procurar as respostas e não ficar-me somente pelo que o Padre diz aqui ou acolá!

Tenho a responsabilidade de perceber melhor a minha Fé, seja para dizer que acredito ou não acredito, ou até acredito mas não preciso de praticar o culto!
É sempre muito mais inteligente procurar saber de tudo de ambas as partes para depois tomar uma decisão que considero ser a melhor para mim (e para a minha família).

Obrigada Teresa pelo esforço que fazes em ir estando a par dos posts e assim ires dando achegas de verdade!

Beijinhos


De Antonio a 06.07.2017 às 16:47

Muito bom gostei !!

De Helena Le Blanc a 09.07.2017 às 16:25

Ola

Obrigada!

Um abraço

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