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Recentemente tive a oportunidade de ir ter com o meu marido a Bolonha para passar o fim de semana.

O Xavier ficou com os avós.

Foram 3 dias e 2 noites. Na comitiva em Bolonha também estava uma das minhas cunhadas, oriundas do Canada. Foi muito bom estar com ela.

Saí de madrugada de casa e cheguei junto deles quase à hora do jantar. No segundo dia fui passear com a minha cunhada na cidade.

Notei imediatamente as motoretas e bicicletas, os edifícios altíssimos com história, as flores lindas, os sabores e cheiros maravilhosos em cada esquina! Muito bom!

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Procurei logo, nas imediações, por Igrejas! A minha cunhada já calculava que eu iria pedir para as visitar mas propôs começarmos por uma  visita ao mercado, muito parecido com o nosso mas muito diferente para ela.

Depois visitamos algumas lojas e a nossa primeira Igreja nesta cidade.

Uma grande Igreja, aliás um Santuário, que só no interior tive a certeza que era um espaço sagrado.

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Visitei de ponta a ponta.

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E antes que continue a minha história, mostro alguns pontos que achei curiosos e/ou muito bonitos:

 o sítio da água benta

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 o coro

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 o altar e o presbitério

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 uma pintura da Anunciação por cima da cópula do presbitério

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o teto do presbitério com uma cruz pendurada

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 vários turíbulos de tamanho grande pendurados em diferentes sítios das naves

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 os bancos da assembleia; porquê? vejam o pormenor da segunda fotografia...

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alguns altares laterais

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 um sítio especial para as velas;

compramos e entregamos as velas a um dos dois senhores responsáveis pelo serviço,

 os únicos com acesso ao local onde ficam a arder 

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Notei que as pessoas faziam fila num determinado ponto por detrás do altar, mesmo durante a Eucaristia. Fiquei curiosa. Ainda mais quando reparei em dois guardas que vigiavam o altar.

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Quando chegamos lá já estava fechado o acesso pois era a hora de almoço.

 

Saímos por umas das portas laterais e percorremos aquelas pequenas ruelas para almoçarmos num dos restaurantes tradicionais.

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Durante o almoço a minha cunhada fez algumas pesquisas sobre a dita Basílica.

IMG_3126.JPGPercebeu que se chamava Basílica de Nossa Senhora de Lucas, e que pertencia a um conjunto de Igrejas que marcavam o caminho de peregrinação à Basílica que se encontrava no cimo de um monte. Nessa seria suposto estar um ícone antigo de Nossa Senhora.


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No final do almoço pedi-lhe para regressarmos à tal Igreja onde tínhamos estado para perceber o que estaria atrás do altar. Ela concordou.

Fomos. Vi uma imagem que na sua grande maioria estava revestida com uma placa cor prateada, à excepção da face de uma mulher e de um menino bebé. Suponho que seria Maria e Jesus, mas achei estranho.

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 Aproveitei e tirei tirei fotos ao teto e à cruz pendurada:

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Depois regressamos às ruelas e às bancas de rua.

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Visitamos um mercado de ervas, que essencialmente eram frutos e hortaliças frescas.

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A dada altura, depois de comprar umas cerejas, dou-me conta que eu não tinha o meu saco de compras. Imediatamente pensei que tinha sido roubada.

O meu marido, na noite anterior, tinha-nos recomendado muito cuidado com os carteiristas e ladrões. Falou tanto que não conseguimos ficar indiferentes.

Perguntamos ao sr. da banca das cerejas, demos várias voltas ao mercado separadamente e nada!

Fiquei tristíssima! Tinha comprado umas pequenas coisas do mercado tradicional, para além do dinheiro ter sido "em vão". Tentei sorrir e até sentir o sabor do gelado que comemos, mas não consegui "alegrar-me". Fiz um esforço por causa da minha companhia.

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A minha cunhada retomou o plano: apanhamos um táxi e fomos até ao monte, à grande Basílica. 

Visitamos a dita Basílica no monte. Lindíssima por fora mas por dentro... com menos esplendor, menos brilho, que a anterior. Achamos esquisito. Parecia-nos muito escura e abandonada, se bem que tinha algumas coisas muito bonitas.

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Andei à procura do dito ícone e ao ler um folheto e associando ideias concluí que o ícone estava na primeira igreja, no Santuário de Nossa Senhora de S. Lucas. A esta altura mais triste fiquei por ter perdido a oportunidade de olhar e saber para o que é que estava a olhar. Não é a primeira vez que isto acontece, o que me deixa sempre muito frustrada.

Saímos e sentamos nas escadas a observar a paisagem lindíssima.

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A determinada altura pego na câmara para rever as fotos tiradas (mais uma tentativa de afastar o sentimento de tristeza pela perda).

Ao ver uma delas tenho um "clic". Virei-me para a minha companheira e mostrei-lhe a foto: ela estava sentada num cadeirão na entrada de uma loja. Lembro-me de eu também ter estado sentado para tirar uma foto. Em imediato, percebendo do Ela pegou no telemóvel e procurou a foto. Podíamos ver que eu tinha colocado o saco das compras de lado. Havia uma grande probabilidade de eu ter-me esquecido da saca nessa loja.

Lembrei-me do nome da loja. Ela procurou o numero da loja através do telemóvel e telefona tentando-se explicar.  Pareceu-nos que o saco estaria lá mas não conseguimos ter a certeza por causa das dificuldades comunicativas.

Identificamos a morada da loja no Google Maps e demos a morada ao táxi. Cheguei à loja com o coração aos pulos. Perguntamos ao primeiro empregado que encontramos e ele não disse que sim nem que não. Começou a andar em direção ao balcão mas olhando para todos os cantos do chão. Ficamos na duvida. Será?

Chegamos ao balcão e ele pegou numa bolsa de papel que estava num canto: o meu saco!

Saí da loja a saltitar e agradecer muito. Virei-me para a minha cunhada disse-lhe: - desculpa mas eu tenho voltar àquela Basílica.

E foi para lá que me dirigi, direitinha, sem esperar pela resposta.

Fui ver, agora com outros olhos, outro conhecimento, outro sentimento, o dito ícone, no altar-mor. E lá estava ele! Agora sim, percebi.

Enquanto tirava fotografias reparei que os olhos de Maria não se afastavam de mim, seguiam-me conforme eu andava! Tinha essa particularidade. Que belíssimo! A imagem é linda e antiga. Dizem que foi pintada pelo Evangelista Lucas, mas não há provas. 

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do lado esquerdo do altar-mor

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do lado direito do altar-mor

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Agradeci. Agradeci muito por ter encontrado o saco e com isso a desculpa, o motivo, a oportunidade para voltar àquele lugar e perceber, ou seja, realmente olhar com olhos de ver.

E foi isto que mais me marcou nesta viagem: aquela imagem, aquela Basílica...

 

 

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