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- Mãe, olha para aqui.

Eu olho e vejo um amontoado de paus.

- O que é isso, Xavier?

- É uma escultura mãe. 

(Pensamento: uau!)

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 - Xavier, e o que é isso?

- Ó mãe, é um elefante! 

(Pensamento: vejo perfeitamente)

 

 

- Mãe, anda escrever letras na areia e fazer desenhos.

(Pensamento: O quê? Ele nem gosta de desenhar!?!)

- Ok.

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- O que é isso Xavier?

- Ó mãe, é um monstro!

(Pensamento: Ok.)

 

 

- Xavier, vamos pintar um pouco? 

- Sim, mas quero pintar do livro da Patrulha Pata.

- Ok.

- Mãe, pintas comigo? Eu pinto deste lado e tu daquele.

- Ok.

 

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- Xavier, não é essa a cor que tinhas que pintar.

- Ó mãe, eu estou a pintar o que o meu coração manda. Tenho que fazer o que o coração manda, pois é mãe?

- ... 

(Pensamento: o quê?)

 

 

E têm sido esta a frase que mais vezes oiço ultimamente do meu filho: fazer o que o coração manda!

Hoje de manhã, depois de ouvir o Evangelho e a homilia do Sr. Padre que celebrou na Igreja de Sousela, lembrei-me destes recentes acontecimentos do meu filho de 4 anos.

 

"Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer:

“Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra,

porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos

e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado."

(Mateus 11, 25-26)

 

Precisamos de ser "pequeninos" para que a verdade nos seja revelada. Não é a primeira vez que Jesus me diz isto.

Ser pequenino é fazer o que o coração manda, sem filtros nem convenções sociais.

Numa das etapas do curso que fiz sobre os  Exercícios Espirituais de Santo Inácio, lembro-me de me dizerem que eu deveria identificar e/ou perceber o sentimento que estou a ter em determinado momento, especialmente relativo a Deus.

Acho que, na maior parte das vezes, ando tão ocupada com o mundo exterior que me esqueço de tentar perceber quais são os meus (reais) sentimentos do momento.

Estarei chateada, aborrecida, com dúvidas, pouco crente, alegre, feliz, satisfeita, triste, perdida, ansiosa? E é suposto as nossas ações refletirem esse estado, esse sentimento, certo?

 

Portanto, o Xavier tem toda a razão: fazer o que o coração manda é muito simples. Ele que é (tecnicamente e ainda) um dos pequeninos, ensina-me a ser "pequenina" bastando eu estar atenta ao meu coração e fazer o que ele mandar. Simples, certo?

É dar um abraço a alguém inesperadamente; é sorrir a alguém que não conheço; é sentir sem pensar; é não perceber mas confiar no meu coração; é cantarolar o que me vêm aos lábios; é ficar presa àquele pensamento que me intrigou; é ouvir os sons da madrugada ou os sons da noite; é ouvir os nossos amigos a conversarem animadamente; é transformar alguma coisa com as mãos, é colocar amor nas tarefas domésticas, é ler um livro que alimente o meu coração, é fazer de conta que está tudo bem!

É uma graça conseguirmos ser pequeninos! Simples e pequeninos, fazendo o que o coração nos mandar.

 

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