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Um dos aspetos importantes da minha vida é o trabalho paroquial. Sendo eu cristã, seguidora de Jesus Cristo, respondo ao seu apelo de testemunho através da minha disponibilidade para a paróquia. Eu sou catequista mas não quer dizer que saiba mais de teologia ou de catequese que os outros, não.... nada disso. Simplesmente proponho-me à aprendizagem e crescimento espiritual em prol de um conjunto de crianças e jovens cujas famílias sabem que a formação espiritual é tão importante como a formação física e cognitiva.

Eu aprendo imenso. É por causa de eu ser catequista (e pelas obrigações e responsabilidades que tomei para mim) que eu leio, oiço, vejo e interiorizo. Estas crianças e jovens são uma bênção de Deus na minha vida.

E com isto introduzo o meu assunto: a Páscoa.

 

Estamos nas vésperas da Páscoa e obviamente que esta temática foi proposta para a catequese. Este ano tive a oportunidade de perceber com mais detalhe e clareza a Páscoa Judaica e a Páscoa Cristã.

O Povo de Israel residiu durante muitos anos no Egipto. Eram mão de obra escravizada. Suponho que os Egípcios lhes forneceram somente casas e alguma terra de cultivo para sobreviveram. Trabalhavam todos os dias nas suas obras e construções recebendo maus tratos físicos e desrespeitos constantes.

Imagino as suas casas: de terra batida, com uma ou duas divisões no máximo, um par colchões de palha encostados a um canto, uma mesa e cadeiras de madeira tosca, uns jarros e bacias noutro canto para a sua higiene semanal... Não possuíam mais nada se não uma muda de roupa, a que traziam no corpo. Também imagino o seu cansaço, o seu espírito "quebrado", o seu desespero, a sua força ao levantarem todas as manhãs e enfrentarem a sua realidade.

Faziam duas festas por ano na altura da Primavera: a chegada dos primeiros frutos e o nascimento dos primeiros animais. Os agricultores festejavam durante 7 dias comendo pão ázimo e grãos de trigo torrado. Os pastores imolavam os animais primogénitos do rebanho implorando bênçãos divinas. Apesar de não terem novas de Deus há muito (segundo o que nos diz a Bíblia), a esperança ainda não tinha morrido.

Deus enviou Moisés, o príncipe israelita que tinha sido educado na corte egípcia, um sinal do humor de Deus!

Depois de uma série de peripécias, entre Moisés e a sua família adotiva, os seus Deuses revelam uma completa incapacidade de proteção aos egipcios, contrariamente ao Deus de Israel que prevê os acontecimentos/flagelos avisando-os e protegendo-os.

Moisés, naquela primavera em que preparavam as tradicionais comemorações, transmite uma mensagem importante ao Povo: preparem-se porque está a chegar a "grande noite". Deus pediu-lhes para se prepararem: da imolação dos animais primogénitos deveriam tomar o sangue do animal para marcar as suas casas e a carne cozinhar em fogo.Estamos a falar de cordeiros e cabritos.Também instruiu prepararem pão ázimo em quantidade suficiente para uma viagem.

Todos os elementos da casa deveriam-se juntar para jantar na habitual mesa de refeições onde se apresentavam o cordeiro (ou cabrito) assado em fogo, pão ázimo (pão sem fermento) e ervas amargas (como já o faziam). A diferença é que deveriam comer bem e prepararem-se para partir em imediato. 

Deus transformou uma festa primaveril num acontecimento estrondoso: a libertação da escravatura! 

Percebemos como foi tão importante este facto que o Povo de Israel fez dele um memorial: todos os anos, na altura da primavera, em vez de festejar a estação do ano, passou a festejar e a relembrar aquela noite. Assim surgiu a Páscoa Judaica.

 

Neste dia o elemento mais novo da família, sentado à mesa, deveria fazer a seguinte pergunta: porque é que estamos aqui todos a festejar a Páscoa? O elemento mais velho deveria, em resposta, contar esta história de libertação. Suponho que também tenha chegado a vez de Jesus fazer esta pergunta e de José responder contando a história da salvação.

Ao crescer Jesus Cristo, filho de Deus, tem uma missão importante. Na ultima vez que ele se senta numa mesa (preparada ao pormenor para esta ocasião) reúne os seus companheiros, e em vez de Jesus contar a história da pascoa judaica, anuncia que Ele próprio será o cordeiro primogénito (imolado na cruz pela mão dos homens) daquela páscoa, e cujo sangue jorrará do seu corpo e coração ensopando a terra.

Com este sangue, fruto do seu sofrimento, redimiu todo o pecado do homem, no seu passado, presente e futuro para que finalmente este possa entrar no Reino dos Céus de corpo e alma. Jesus Cristo libertou-nos da escravatura do pecado e do mal, permitindo que a nossa vida já não mais se extinga com a morte mas que tenhamos vida no outro lado em plenitude. Os seus companheiros, em festa e comemoração, deveram ter ficado, mais uma vez, confusos, perdidos e tristes sem perceberem nada de nada.

Também pão ázimo, nas suas mãos, toma um significado diferente. O filho de Deus protagoniza a primeira Eucaristia.

Jesus Cristo transformou a páscoa judaica num acontecimento extraordinário: a abetura das portas do Reino de Deus.

 

A nossa Páscoa é obviamente a Páscoa Cristã que intimamente ligada à Páscoa Judaica é resultado do grande plano de Deus para todos nós.

Como curiosidade a páscoa judaica é celebrada na primeira lua cheia da primavera e a páscoa cristã é marcada no primeiro domingo a seguir a essa primeira lua cheia da primavera.

Assim, para vivenciar um pouco mais a pascoa, pensei em fazer uma coisa diferente no almoço do dia desse dia: colocar pão ázimo na mesa acompanhando o cordeiro ou cabrito assado. 

Para quem não sabe fazer fica aqui a receita (clicar em cima da frase Receita Pão Ázimo.pdf).

Calculo que o pão de ázimo irá suscitar perguntas e eu terei a oportunidade de contar à minha família a história da salvação (da Pascoa Judaica até à Pascoa Cristã).

 

Receita Pão Ázimo.pdf

 

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2 comentários

De Isabel Silva a 23.03.2017 às 21:40

Boa! Ahhh gostei do novo visual do blog, tipo caderno de escola!

De Helena Le Blanc a 24.03.2017 às 22:30

Ola Isabel

Ao retomar o blog reparei que as fotos tinham desaparecido. Assim aproveitei o facto para alterar também o layout. Faz bem se vez em quando mudar! Gostei muito deste... também fiquei encantada com as folhas tipo caderno e o lápis no topo da página. Depois a foto da Nossa Senhora por baixo do clip foi para mim a "cereja no topo do bolo"!

Obrigada pelo comentário.

Receberam o link para as fotos?

Bjs

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