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Caro Amigo e Amiga, o retiro foi fabuloso.

Eu que andava com "niquices" na cabeça e no coração (niquices agora, porque antes eram pedregulhos) tudo desapareceu para dar lugar à vontade de fazer diferente, e à vontade de sentir diferente.

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Como bem diz a Olívia no blog Adoptar Amar e Viver (AQUI), sempre temos tanta coisa para fazer que parar tudo para ir a um retiro não é fácil, nada fácil.

Mas ainda bem que o fizemos porque foi tempo ganho para nós: parar, ouvir, orar, conviver e refletir.

No post do site das Famílias de Caná (AQUI) poderá ler um belo registo do dia que tivemos em Fátima.

Mas como foi para mim e para a minha família este dia?

Depois do acolhimento (sorrisos, abraços, barulho, movimentos vários, musica) a Teresa partilhou connosco o que sabe sobre a Irmã Lúcia, uma das pastorinhas de Fátima. Fez todo sentido estarmos juntos e ouvir um pouco mais sobre a história de Fátima.

O que aconteceu à pastorinha Lúcia, a mais velha, depois dos outros morrerem?

Como foi a sua vida na terra?

Teve mais aparições de Nossa Senhora?

Viveu em Fátima e pode re-visitar todos os locais à sua vontade?

Viveu com honras reais já que era uma pessoa privilegiada de Deus? 

Pode realizar todos os seus sonhos?

As respostas foram surpresas para mim! Fizeram-me pensar em muitas coisas...

Deus tem a sua maneira unica para nos fazer crescer, de nos espicaçar... 

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A seguir fomos até à Capelinha das Aparições rezar um terço e participar na Eucaristia.

Fomos almoçar e aproveitamos para estar com os meus tios que vivem em Lisboa mas que por coincidência tinham que ir a Fátima nesse dia. Colocamos as conversas e as notícias da família em dia.

 

 

Depois fomos para a via-sacra nos Valinhos. Juntámo-nos ao nosso grupo, no meio de uma grande confusão de outros grupos. 

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Esta via sacra é muito especial para nós: ao percorre-la podemos ter uma ideia de como era o caminho dos pastorinhos entre as suas casas e a Cova de Iria, o local  da Capela das Aparições, enquanto pastoreavam os animais da família.

É um caminho para percorrer a pé ou de bicicleta. Não há carros, povoações, lojas ou barulho. Podemos ver a paisagem típica desta região. 

 

 

 

O nosso grupo rezou a via-sacra, ou seja, relembrámos o caminho da Paixão de Nosso Senhor. Em cada estação ajoelhámos e escutámos no coração, imaginando os momentos de sofrimento, de angustia, de coragem e de submissão à vontade do Pai de Jesus Cristo. 

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Eu já há muito tempo que não me lembrava o que era ajoelhar em piso desconfortável.... doí e muito!

Mas o que é esta dor comparada com o que Jesus passou?

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Curioso que, depois de várias estações a ajoelhar-me no mesmo tipo de piso, decidi ajoelhar-me na zona central do caminho que tem uma pedra lisa para me poupar à dor. Penso que essa pedra existe para as pessoas que queiram fazer a via-sacra de joelhos. 

 

Pois doeu-me ainda mais do que se tivesse escolhido o piso irregular de pedras. Arrependi-me imediatamente. Joelhos "massacrados" endurecidos não querem suavidades! Acho que isto poderia ser um belo exemplo para o "espicaçar de Deus" nas nossas vidas.

 

E bem que eu fui "espicaçada" nesta via-sacra!

Uma das vantagens desta via-sacra é que as crianças podem brincar à vontade nesta zona.

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A determinada altura do nosso percurso eu disse ao James para dar um pouco mais de folga ao Xavier (exatamente para ele ter a oportunidade de explorar o campo). Eu concentrei-me mais no que estava a fazer e suponho que o James também. 

De repente oiço um colega do grupo a falar no nome do Xavier em voz alta. Viro-me e dizem-me que o Xavier desapareceu e que o James já tinha ido caminho acima à procura dele. 

Eu senti-me "em suspenso"... Acho que se tivesse essa capacidade teria levitado...por segundos. Tentei reorganizar rapidamente as ideias e virei-me para o lado contrário ao do já tomado pelo James. Começo a andar mas fazem-me refletir sobre o que poderá ter acontecido com o Xavier: provavelmente distraiu-se e seguiu um outro grupo de pessoas que nos tinha ultrapassado há instantes. 

Ok. Comecei então a ir ao encontro do James. Um colega nosso vai então para trás, porque não se tem a certeza para que lado efetivamente o Xavier tinha ido.

...

(as pessoas falam comigo mas eu não estou)

...

Oiço alguém dizer que o James já o tinha encontrado. 

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Senti-me a descer do "suspenso". 

Depois de caminhar alguns metros vejo os dois sentados junto ao muro. Pego no Xavier mas este parece-me estranhamente ausente e "off". Pergunto ao James se o Xavier se tinha apercebido do acontecido, se tinha consciência (e se sim então provavelmente estaria muito assustado). Ele diz-me que ele não se apercebeu e até nem queria voltar para trás pois estava muito concentrado no seu caminho, ou seja, em andar caminho acima, no topo do muro. 

O James mais tarde contou-me que um Sr. do grupo que ia à nossa frente apercebeu-se mal viu o James à procura e ajudou-o a encontrar o Xavier. Já se tinham apercebido que alguma coisa estava errado quando viram uma criança a caminhar em cima do muro ultrapasssando-os a todos, sem niguém a acompanhá-lo.

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O James ficou aborrecido duplamente: comigo (porque eu tinha-lhe pedido para não ser tanto "pai galinha") e com o Xavier (porque este não se tinha apercebido que estava perdido e queria continuar a caminhar no muro).

Abracei o Xavier, tentando não lhe transmitir a minha aflição e ansiedade, e mantive-o comigo no resto do percurso. 

Eu levei ainda bastante tempo a repor o meu interior. 

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Acho que se passaram uns poucos minutos mas o meu mundo deixou de existir nesse tempo. Não sei de facto como é que Maria aguentou também esta provação, não de uns poucos minutos, mas de pelo menos 3 dias quando Jesus, com 12 anos, toma a decisão de ficar a conversar com os Sacerdotes do Templo de Jerusalém. Sabemos que ele, com essa idade, já era considerado um jovem adulto mas... pelo menos 3 dias é obra! Acho que todos sabemos como os jovens adultos podem ser imaturos e inocentes.

Este episódio mexeu muito com a minha família!

 

No fim do dia conversamos sobre o que tinha acontecido, incluindo o Xavier pois estava na altura de ter as conversas de "ter cuidado com os estranhos" e "o que fazer quando ficamos perdidos".

Concluímos que o Xavier precisa de sair (um pouco) de baixo das nossas "saias" e "calças" para experiênciar sozinho umas "pedrinhas" da vida, começar a beber umas gotinhas do "cálice amargo". (Ensinamento de Abril - O Vinho Melhor - AQUI ).

Sentimo-nos espicaçados sim!

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3 comentários

De Bruxa Mimi a 12.04.2017 às 15:01

Ui! Que susto! Eu sabia que tinha havido uma criança perdida durante alguns minutos durante o retiro, mas como já não vinha aqui há muito tempo, não sabia que tinha sido o Xavier...

De Helena Le Blanc a 16.04.2017 às 02:15

Pois foi....

Foi simplesmente horrível!

Foram minutos "eternos" em suspenso, dentro de uma redoma cujo oxigénio é limitado... Uma sensação tão estranha!

De Bruxa Mimi a 17.04.2017 às 09:42

Graças a Deus pelo desfecho feliz!
Uma Santa Páscoa para vós.
Beijinhos,
Mimi

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