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Desde que apareceu o sol, recuso-me a dar catequese numa sala de aula!

E para que não haja mal entendidos, não é pelos jovens mas sim por minha causa. 

Descobri o local ideal: a quintinha que o Colégio Salesiano de Mogofores têm por detrás do Santuário.

Como cresci em Mogofores, tinha a noção da existência de um campo de futebol (onde as ervas selvagens começaram a dominar a área) mas a quinta sempre foi uma zona restrita até à pouco tempo (pelo menos para mim)!

Desde que a visitei não houve mais nenhum sábado de bom tempo que eu não fosse para lá, especialmente para o poço... um poço grande, devidamente tapado e protegido mas com uma beleza especial que não consigo descrever.

 

Pois bem, recentemente a evangelização foi sobre a Rainha Ester. Já ouviram falar?

É a Evangelização "Da Rainha Ester a Maria de Nazaré", na pag. 151, Livro 2 dos Mistérios da Fé de Teresa Power.

 

Eu já tinha ouvido falar desta rainha, como de outras mulheres que fazem parte do Antigo Testamento, mas confesso que desconhecia esta história em particular.

Li com atenção e muita curiosidade. Gostei. Surpreendeu-me ser desconhecida, já que é uma belíssima história de amor e de confiança!

Fiquei indecisa: como é que eu iria transmitir esta história sem cair na lamechice e ao mesmo tempo prendendo a atenção dos jovens (que estão fartos de histórias de amor e coisas do género)? Como?

Para complicar mais um bocadinho eu iria ficar com o grupo dos 12 anos e dos 13 anos.

Foi quando pensei com os meus botões o seguinte:

 

 

"Helena, estás tontinha! Afinal como é que se conta uma história? Quase todos os dias contas histórias ao teu filho e agora está com dúvidas? Não há-de ser muito mais difícil! Contas e pronto, à bela maneira tradicional. NÃO COMPLIQUES.

Podes sim tornar as coisas mais interessantes se apresentares a "coisa" como um jogo. Com um grande disfarce (o jogo) poderás obter a concentração e (com ajuda de Deus) a atenção deles. Quem é que não gosta de um pequeno jogo?"

 

Comprei umas gomas estranhas. São uma espécie de fitas enormes que representam o arco-íris.

 

No dia da catequese convidei os dois grupos para irem para o poço da quintinha. O Sr. Padre Gabriel (o nosso S. Pedro das chaves) foi abrir a porta e avisou-nos que iríamos ter uma grande surpresa.

E que surpresa!

O novo Santuário da futura Mãe de Caná já estava de pé! Que lindo! Claro que todos quiseram entrar, e eu à cabeça.

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Sugeri ficarmos ali todos sentados no chão em roda. Proposta aceite.

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Em seguida mostrei-lhes o meu saco de gomas. Todos (quase todos) ficaram com os olhos em bico! 

Passei à ação. 

"Vamos fazer um jogo, melhor, um teste à vossa memória. Eu conto-Vos uma história e no fim farei perguntas. Quem acertar recebe uma goma".

Recebi reações positivas e instantaneamente todos se calaram prontos para ouvir.

Eu tinha re-escrito a história da Rainha Ester, com as minhas palavras (palavras mais atuais, perceptíveis) no meu caderno. Assim fui contando a dita apoiando-me no meu texto escrito. Apareceram nomes esquisitos que eu dava realce repetindo duas / três vezes. Eles repetiam também tentando decorar os nomes.

Não fui interrompida nem foi preciso eu interromper.

No fim todos estavam prontos para a segunda parte.

Começaram as perguntas.

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E foi muito giro.

Esqueci-me dos jovens que não gostam de gomas ou que não podem comer por causa dos aparelhos nos dentes. Mas eles próprios rapidamente me descansaram dizendo que não havia problema nenhum.

Reparei em imensas coisas: generosidade, atenção, partilha, respeito, interesse, sabedoria, amizade, inteligência, humildade, simpatia, compreensão, brincadeiras saudáveis...

As ultimas perguntas já não foram sobre a história em si, ou factos da história, mas sobre "a lição de moral", a mensagem especial de Deus para cada um de nós.

Todos responderam espontaneamente e com significado. Não houveram "frases feitas".

 

Foi desta forma que este lugar especial - o novo Santuário de Mogofores, onde irá ser colocada e benzida a imagem da Mãe de Caná - foi "inaugurado".

Senti-me abençoada por ter tido esta experiência.

 

Este é um local que estará à espera de todos, de cada um de nós, para se poder rezar, para se poder brincar, para se poder jogar, para se poder conversar, para se poder rir, para se poder chorar, para se poder encontrar a Santíssima Trindade e Maria.

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Senti-me também privilegiada porque vi... vi uma coisa extraordinária!

Um grupo de jovens, oriundos de famílias com realidades diferentes, da zona de Anadia e arredores, mostraram-me o que poderá ser o futuro da humanidade se simplesmente nos entregarmos e abandonarmo-nos no colo de Maria. Deixarmo-nos levar na onda... na onda certa, a onda do amor de Deus.

Amanhã será um dia de festa neste lugar especial: um grande dia para Mogofores, para a Família Power fundadora do Movimento das Famílias de Caná, para as nossas famílias, para cada um de nós.

Que Deus nos abençoe a todos!

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