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Uma das catequeses que tive de preparar para o meu grupo de 12 anos foi "Da Criação ao Pentecostes", pag. 139 do Volume 2 dos Mistérios da Fé de Teresa Power.

Costumo sempre ler a evangelização com alguns dias de antecedência, e nos dias seguintes penso sobre ela tentando perceber qual é a mensagem de Deus para mim e/ou para a minha vida. Procuro também ter olhos catequéticos e faço alguma pesquisa, esperando que o Espírito Santo me inspire ou que me mostre onde está a ponta para eu pegar e ser seu instrumento. 

Retomando o meu testemunho, li e re-li diversas vezes a dita evangelização. De cada vez que lia encontrava mais um aspeto que encantava o meu espírito, mas não conseguia ver onde estava a ponta. Até que me lembrei dos meus velhos tempos de juventude: o grupo de jovens que rezavam os salmos.

Eu fiz parte de um grupo de jovens em Mogofores que se encontrava para rezar os salmos (já não me lembro qual era a periodicidade). O então Pároco, Padre Luís Ganzaga Belo, tinha-nos desafiado a rezarmos os salmos.

Encontravamo-nos todos na Igreja Matriz. Depois de sentados alguém escolhia o numero do salmo. Já não me lembro de todos os pormenores mas sei que líamos os versículos e todos nós, vez à vez, comentavamos o que o salmo ou o versículo significava para nós, sem certos ou errados. Infelizmente nunca cantámos pois não havia entre nós ninguém com essas competências.

Portanto decidi arriscar e propor uma coisa semelhante aos jovens. Preparei na minha mente o meu discurso de introdução sobre os salmos em geral: a sua presença na bíblia, a sua antiguidade, possíveis autores, os propósitos dos salmos, utilizações dos salmos do Povo Israel ao longo dos séculos. Também pesquisei sobre o salmo 139 (138): uma declaração de amor de Deus por mim e por ti.

 

Pedi aos jovens para procurarem o salmo nas suas bíblias. Cada jovem, depois de ler um versículo, deveria interpretar. Poderia ser dizendo por outras palavras a mesma coisa ou fazer alguma referência específica à sua vida ou aos dias de hoje. Obviamente que fui a primeira para lhes dar um exemplo. 

Eu não sabia quais seriam os resultados mas "atirei-me" com confiança na atividade.

No início foi um pouquinho difícil, mas depois apanhou tal embalagem que acabamos por só chegarmos ao versículo 10 quando o salmo têm 24.

Porquê? Porque deu conversa para falarmos sobre muitas coisas: sobre as coisas de Deus, sobre as nossas coisas, sobre a nossa relação com Deus. Falamos da Criação, do ser humano como único, do paraíso, do inferno, do purgatório, do barulho da nossa vida, de sentirmos Deus... Já não me lembro de tudo nem sei como é que foi surgindo, mas foi super interessante. A catequese acabou por ser um diálogo entre nós todos... uma grande conversa.

Claro que na catequese seguinte, dei continuidade à atividade. Só que desta vez eu tinha comigo outro grupo de jovens que eram um ano mais novos. Como foi inesperado não tive oportunidade de preparar outra coisa diferente. Suspeito que não poderia ter sido de outro modo.

 

Assim expliquei a este grupo o que tínhamos feito no sábado passado, voltei a fazer a introdução sobre o que eram os salmos (desta vez com perguntas à mistura para os meus jovens testando a sua memória e atenção) e também contextualizei o salmo em si. Retomamos no versículo 10 e continuámos. 

Este grupo, de 11 anos, conseguiu acompanhar e completar a atividade. Surgiu outra vez a oportunidade de falarmos de coisas importantes, algumas repetidas. Voltou a surgir o sentirmos Deus em nós e na nossa vida, o aborto, o acreditar sem ver, como Deus comunica connosco, e que cada um de nós está inscritos no Livro da Vida que Deus escreveu!

Mas eu também aprendi, e muito. Aprendi com eles por ex que temos 206 ossos. O corpo humano tem 206 ossos. Assim, Deus conhece cada osso dos meus 206 ossos. Sim, conhece. Lê o salmo e verás!

Concluindo foi uma experiência surpreendente e muito gratificante!

 

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