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Um dia, um carpinteiro decidiu criar uma coisa muito especial com a sua madeira: um menino-boneco. Um feito extraordinário nunca visto. Com corpo e alma como se fosse uma criança normal. E tal como todas as outras crianças, tinha que ser cuidado e educado. O seu pai, o carpinteiro, adorava esta sua criação.

Acontece que este menino-boneco, a determinada altura, achou que era perfeito, maravilhoso, que poderia suplementar em inteligência o seu pai. Portanto, decidiu ignorar todos os avisos e regras, lançando-se no mundo exterior. Usou toda a sua liberdade e capacidades para fazer o que bem entendia, achando que estava a ser o maior. Mas a vida é um conjunto de ações/reações, atos e consequências. Como tal, o menino-boneco começou a recolher o que tinha semeado. No meio do sofrimento tentou regressar a casa do seu querido pai mas estava perdido. Não conseguia encontrar o caminho de casa. 

O seu pai, cheio de saudades, sofria por esta sua criação. Amava-o muito. Mas como é que poderia ajudar o seu menino a voltar a casa?

Como?

 

Deus  pensou numa solução para não perder eternamente a sua criação: construir uma ponte entre Ele e a humanidade em que Ele próprio viria ao mundo, na Segunda pessoa da Santíssima Trindade: Jesus Cristo.

"Não nasceu um novo ser. O Deus preexistente é materializado no espaço e no tempo".*

O Filho de Deus "se fez carne" - a encarnação. Ele nasceu imaculadamente de Maria e do Espírito Santo, com natureza humana e natureza divina. Assim, com um corpo humano assumiu todas as qualidades e condições à excepção do pecado, pois afinal continuava a ser Deus, agora presente em Israel há cerca de (mais ou menos) 2 mil anos atrás.

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Jesus Cristo foi "um homem perfeito em toda a sua vida terrestre, tornando-se modelo e exemplo de uma vida autêntica e saudável."* Na bíblia são 4 os livros que descrevem esta passagem, com muitos ensinamentos e milagres, culminando no seu "auto sacrifício" (a expiação).

O Deus-Homem deixou-se sofrer horrores e experiênciar a morte na cruz, a mais ignóbil forma de morrer na altura. Sentiu todas as dores e mais alguma como homem mortal. No entanto ele era Deus, o todo poderoso, transcendente e eterno.

Porquê?

Seria necessário um motivo muito forte para que assim acontecesse. Jesus Cristo, na véspera da sua condenação, num momento a sós com o seu Pai, exclamou:

"Pai, se quiseres afastar de mim essa taça... No entanto, não se faça a minha vontade, mas a tua". (Lc, 22, 42-44)

Depois, São Lucas continua assim: "Tomado de angústia, ele rezava mais intensamente, e o seu suor se tornou como coágulos de sangue que caíam por terra".

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Consigo imagina-me num momento similar? Não, nem pensar.

Ele, filho de Deus, ficou em pânico antevendo toda a dor e sofrimento que iria sentir até ao fim... Então porquê tudo isto? Porquê é que era necessário este auto sacrifício?

 

Expiação - ato de auto sacrifício através do qual Deus apaga todas as ofensas da humanidade contra si e liberta a humanidade do mal e das consequências do pecado.

Auto sacrifício de Jesus Cristo - manifestação suprema de amor e perdão num mundo em decadência.

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Jesus Cristo, Filho de Deus, Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, encarnado em corpo humano, vive exemplarmente ensinando e fazendo milagres. Isto não foi suficiente? Pois.... não.

Não nos podemos esquecer que a humanidade a determinada altura da sua existência ofendeu Deus, com a pretensão de ser igual ou maior que ele. Como? Ignorando a Lei de Deus e, consequentemente fazendo uso do poder que Deus lhe deu sem limites ou medidas.

Desde essa altura que a humanidade, depois da sua morte física, ficou aprisionada na "Morada dos Mortos", o Inferno, o Hades. Os bons e maus ficaram prisioneiros nesta realidade. Todos tinham a marca do pecado original, desde o nascimento até à sua morte.  "Privados da visão de Deus" estavam sob o domínio do Diabo.

Portanto parece-me que para reparar ou repor tamanha ofensa e consequências, Jesus Cristo teria que fazer uma coisa extraordinária, mais poderosa que os milagres de cura ou de transformação. E o que poderia ser? O que é que um humano têm de mais precioso? A sua saúde, a sua vida. Assim, Jesus só poderia ter feito uma coisa: doar-se inteiramente por amor.

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(Isto lembra uma parte da história do Harry Potter, em que a mãe para o salvar oferece a sua vida, ficando este sacrifício de amor marcado na sua áurea, servindo como proteção para determinados males.)

 

Jesus morreu e desceu à "Morada dos Mortos" anunciando a Boa Nova: o Filho do Homem veio salvar, libertar, todas as almas boas e justas presas naquela lugar. Jesus "foi acordar os que dormiam desde séculos."**

"Eu sou a Vida dos mortos".**

No terceiro dia ressuscita dos Mortos.

 

 

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 Pintura de Carl Heinrich-Bloch

 

Pela primeira vez, há mais ou menos dois mil anos atrás, as portas da "Casa do Pai" abriram-se por Jesus Cristo para que os justos que o haviam precedido, entrarem e finalmente descansarem em comunhão com o seu Criador.  

O Deus-Homem ressuscita em corpo e alma. Ele, que tinha "saído do Pai", regressa ao Pai. 

 

Morte - separação do corpo e da alma;

Ressurreição - união do corpo e da alma. 

 

Concluindo, o Filho de Deus não poderia ter feito por menos: Ele através da sua Morte liberta-nos do pecado, e pela Ressurreição abriu-nos as portas do Céu para uma vida de felicidade eterna.

 

 

E é assim que "com um cajado se matam dois coelhos"!

E esta heim?!

 

 

 

* in "Cristianismo - Guia ilustrado dos 2000 anos da fé cristã", de Ann Marie B. Bahr, Editora h.f.ullmann, de 2009;

** in Catecismo da Igreja Católica, de 631 a 667, Edição Típica Vaticana, Edições Loyola, 1997

 

 

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