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Cara(o) Amiga(o)

Partilho uma das minhas reflexões recentes: numa destas manhãs, ao escovar os dentes, notei uma coisa importante.

Quando eu e o James decidimos "juntar os trapinhos", nós vivíamos anteriormente sozinhos. Eu tinha 33 anos e ele tinha 37 anos. Isto quer dizer que assumíamos todas as responsabilidades da nossa residência e da nossa vida.

Esta experiência tem dois lados:

- é muito bom porque assim desde o primeiro minutos fomos muito práticos dividindo todas as responsabilidades pelos dois, negociando, cedendo acordando;

- ambos também trouxemos maus hábitos e muito individualismo para a relação. Ao longo do tempo fomos "limando arestas".

Quando vivemos juntos no apartamento, com dois quartos de banho disponíveis, cada um de nós ocupou um quarto de banho. Assim, não nos cruzávamos para a nossa higiene pessoal e quotidiana. Ele tinha as suas coisas e eu tinha as minhas coisas.

Depois mudámo-nos para a casa de Aveiro. Esta também tinha dois quartos de banho disponíveis: continuamos com o mesmo hábito em que cada um tinha o seu quarto de banho.

Há cerca de 2 anos mudámos-nos para a casa de Sangalhos. Esta têm 3 quartos de banho mas estão localizados de maneira muito diferente, para além de agora termos mais um membro na família. Assim, naturalmente, e pela primeira vez, começamos a dividir o quarto de banho, mas cada um com as suas coisas: 2 gel banhos, 2 shampoos, 2 amaciadores, 2 escolas de cabelo, 2 escovas de dentes, 2 pastas dentífricas...

Há 2 meses atrás acabou a minha pasta de dentes e comecei a usar aquela que estava ali ao lado (do meu marido), e (surpreendentemente) não me preocupei em comprar uma para mim. O James é muito previdente nestas coisas, e como tal tive a certeza que ele tinha stock dos produtos de todos os produtos na sua área do armário que partilhamos.

Recentemente reparei nisto enquanto escovava os dentes: na nossa casa de banho deixamos de ter duas pastas dentífricas para passar a ter uma. IMG_8615.JPG

Isto era um resquício dos velhos tempos. Para nós (desta vez) é esta pasta dentrífica (uma grande tolíce talvez) mas poderão ser outras coisas como contas bancárias, carros, educação dos filhos, divisão de tarefas domésticas, decoração da casa, os menus familiares, os domingos, etc...

São estes os pormenores que nos indicam o nível de intimidade que temos com a nossa outra metade. Claro que não falo somente de intimidade física mas muito mais para além disso: uma intimidade profunda e completa, ao nível físico, intelectual/afetivo e espiritual.

Temos muitos exemplos destes cá em casa. São sinais da nossa homogeneidade enquanto casal. 

 

"O casal de conjugues forma uma íntima comunhão de vida e de amor que o Criador fundou e dotou com as suas leis. (..) Os dois se doam definitiva e totalmente um ou outro. Não são mais dois, mas formam doravante uma só carne. A aliança contraída livremente pelos esposos lhes impõe a obrigação de a manter una e indissolúvel".

(Catecismo da Igreja Católica, n.º 2364)

 

Recordo-me de, apesar de ter ouvido que a partir daquele momento torna-mo-nos "uma só carne", não sentir isso nos dias ou meses seguintes! Era tipo: eu sou e ele é; eu fazia e ele fazia (ou não); eu tinha e ele também tinha ou não. Eu e Ele. 

Eu resguardava-me dele em muitos aspetos: físico, intelectual/afetivo e espiritualmente, apesar de estarmos oficialmente unidos em físico, intelecto e espiritual. Aliás, confesso que ainda não concebia a dimensão espiritual. Para mim a nossa relação e casamento tinham uma dimensão física, afetiva/inteletual e financeira. 

O que mudou? Entrou uma terceira pessoa na nossa relação. É verdade. Esta é a única pessoa que pode estar numa relação a três e que quer o bem de nós os dois, na mesma medida: DEUS. Ama-nos apaixonadamente e quer que nós estejamos unidos em amor da ponta dos cabelos até à ponta dos dedos dos pés, com todas as células e pensamentos, de forma a que nos ajudemos, um ao outro, a chegarmos a Ele, ao nosso fim ultimo, à nossa essência, à nossa natureza divina!

Eu sou apaixonada pelo James. Eu quero que ele seja muito feliz, quero e desejo todo o bem para ele. Eu quero que ele obtenha desta e da outra vida o melhor. Como é que isto poderá acontecer? Se Ele cumprir com a sua missão e a sua natureza ele recolherá os frutos! Assim, eu só tenho que o ajudar a ser melhor pessoa, a perceber qual é o caminho dele, e a fazer melhor nesta vida. 

Ele, idem aspas.

Assim, nós ajuda-mo-nos um ao outro com compreensão, amor, paciência. Não nos julgamos, porque nos amamos e ambos sabemos que temos "n" de falhas e limitações! No entanto, temos Deus como parceiro ou sócio nesta relação íntima. Deus enche-nos de graças, todos os dias da nossa vida. Para isto basta, abrir-lhe a porta, pedir a graça desse primeiro gesto.

Como?

Um passo de cada vez... e leva tempo. Temos que nos dar tempo a nós e a Deus para (os três) nos ajustarmos e habituarmo-nos uns aos outros: conhecermo-nos de forma intima.

Para nós começou há 4 anos atrás... devagarinho, muito devagarinho. Eu e o James, fruto das circunstâncias, estivemos os dois num retiro das Famílias de Caná de um dia. 

Amiga(o), pede a Deus essa graça. Experimenta. Não tens nada a perder. Confia em mim pois este é o nosso grande segredo: uma relação a três.

 

Colagens (2).jpg

 

"O meu amado é meu e eu sou dele (...)" 

 

(Cântico dos Cânticos 2, 16)

 

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3 comentários

De Teresa Power a 14.12.2016 às 09:18

Fantástico, Lena! É mesmo isso... Ab!

De Sónia a 14.12.2016 às 13:23

Achei super curioso este post, porque lá em casa sempre partilhamos tudo, desde sempre! ... embora existam algumas coisinhas, lá está, as tais arestas... que as há sempre e se vão limando com o tempo.

beijinhos

De Helena Le Blanc a 24.12.2016 às 14:14


Olá Sónia

Sabes que o James é filho de pais divorciados, e muito cedo começou a andar com as tralhas para trás e para a frente, entre o pai, a mãe e as irmãs mais velhas! Depois casou-se e mudou-se para Portugal e voltou a ficar completamente sozinho no nosso país.
Eu sou filha de pais emigrantes. Vivi com a minha avó desde os 3 anos e aos 16 anos já tomava conta da casa, fazendo compras, pagando contas, limpando e cozinhando. Claro fez com que me tornasse muito responsável (foram muitos os meus erros e gritos / castigos que ouvi pelo telefone) e independente mas também muito egoísta, individualista e ressentida com o mundo!
Atenção: Com isto não quero dizer que tive uma infância horrorosa. Obviamente também tive coisas maravilhosas nas férias: tive acesso a coisas e momentos que normalmente crianças e jovens não têm (como por exemplo privar com princesas e meninas de famílias muito ricas e poderosas, jogar tenis, equitação, jet-ski na água, lições de etiqueta e de desenho, viajar para outras culturas, etc...)

Quando os meus pais regressaram eu não consegui viver com eles por diversas razões. Fui viver inicialmente com uma amiga mas depois esta "juntou-se" ao namorado e eu fiquei a viver sozinha.

Por isso ter sido difícil aos 33 anos unir-me a outra pessoa, e não somente partilhar espaço e dividir responsabilidades, as partes mais fáceis da equação.

Um Santo Natal Sónia (mais uma vez) e um grande obrigado pelos teus comentários!

Beijinhos



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